Refluxo gastroesofágico em bebés: o que é e como a Osteopatia Pediátrica pode ajudar?
O refluxo gastroesofágico (RGE) é uma das situações mais comuns nos primeiros meses de vida. Muitos pais chegam preocupados com “golfadas”, desconforto após as mamadas, choro frequente ou dificuldade em dormir, questionando se o bebé estará com algum problema mais sério.
Na maioria dos casos, o refluxo faz parte do desenvolvimento normal do bebé e tende a melhorar espontaneamente ao longo do primeiro ano de vida, à medida que o sistema digestivo e neuromuscular amadurece. Ainda assim, pode ser uma fase desafiante para toda a família.
O que é o refluxo gastroesofágico?
O refluxo ocorre quando o conteúdo do estômago passa involuntariamente para o esófago, podendo ou não ser expelido (regurgitação).
Nos bebés isto é muito frequente porque:
- o sistema digestivo ainda é imaturo;
- o esfíncter esofágico inferior (a “válvula” entre o estômago e o esófago) ainda não funciona de forma totalmente eficiente;
- passam muito tempo em posição horizontal.
Na maioria das situações trata-se de um fenómeno fisiológico e transitório.
Refluxo fisiológico: o que é considerado normal? É comum um bebé:
- bolsar após as mamadas;
- fazer pequenas golfadas;
- arquear ligeiramente o corpo para trás;
- engolir com frequência após comer;
- mostrar algum desconforto pontual.
Desde que:
- esteja a ganhar peso de forma adequada;
- tenha um desenvolvimento global normal;
- não apresente dificuldade respiratória;
- esteja globalmente bem entre episódios;
Estamos, na maioria das vezes, perante um refluxo fisiológico.
O pico costuma acontecer entre os 2 e 4 meses, com melhoria progressiva até ao primeiro ano de vida.
Quando é que o refluxo merece mais atenção? Apesar de ser comum, há sinais que justificam avaliação médica mais cuidada:
- recusa alimentar persistente;
- dificuldade em ganhar peso;
- choro intenso durante ou após as mamadas;
- irritabilidade marcada após comer;
- despertares frequentes por desconforto;
- vómitos em grande quantidade;
- tosse persistente ou pieira;
- episódios frequentes de engasgamento.
Nestes casos, podemos estar perante uma Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) ou outros fatores associados que precisam de avaliação clínica.
Existe relação entre refluxo e tensão corporal?
Alguma literatura sugere que fatores mecânicos podem influenciar a sintomatologia do refluxo. Tensões na zona cervical, torácica ou diafragmática podem interferir na coordenação entre sucção, deglutição e respiração.
Também se observa, em alguns casos, associação entre torcicolo e maior incidência de sintomas gastroesofágicos, reforçando a importância de uma avaliação global do bebé.
Como pode a Osteopatia Pediátrica ajudar?
A Osteopatia Pediátrica não trata o refluxo como uma doença isolada, mas sim como parte do desenvolvimento global do bebé.
O objetivo é melhorar a mobilidade e o equilíbrio das estruturas envolvidas na alimentação e na digestão.
A abordagem pode incluir:
- avaliação global do bebé (crânio, coluna cervical, tórax e diafragma);
- libertação suave de tensões miofasciais;
- melhoria da mobilidade do diafragma, importante na digestão e respiração; ● apoio à regulação do sistema nervoso autónomo, que irá ajudar na autorregulação do bebé.
A evidência atual sugere que estas abordagens manuais suaves têm um papel complementar na redução do desconforto e na melhoria do bem-estar do lactente, sempre em articulação com o acompanhamento pediátrico, bem como, consultora de lactação IBCLC, terapeutas da fala ou nutricionistas com formação na área materno-infantil.
Pequenas estratégias que podem ajudar no dia a dia:
- evitar volumes grandes de leite de uma só vez;
- fazer pausas durante a mamada;
- manter o bebé mais vertical após a alimentação;
- evitar pressão abdominal (fraldas ou roupa apertada);
- garantir um ambiente calmo durante as refeições.
Cada bebé reage de forma diferente, pelo que pode ser necessário ajustar estratégias.
Uma mensagem importante para os pais
O refluxo pode ser uma fase exigente, tanto física como emocionalmente. O choro, as noites mais difíceis e a sensação de impotência são experiências muito comuns.
Na maioria dos casos, trata-se de uma fase transitória que melhora com o crescimento e a maturação do bebé.
O mais importante é que os pais se sintam acompanhados, informados e tranquilos ao longo deste processo. Quando existem dúvidas ou sinais de alerta, procurar orientação profissional é sempre o melhor caminho.
Osteopata Beatriz Constantino
[C-0032588]
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